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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Curiosidades do Rio Grande do Norte




Potiguar (potiguares no plural) é uma denominação dada a quem nasce no estado do Rio Grande do Norte (assim como norte-rio-grandense ou rio-grandense-do-norte). Potiguar ou potiguara é o nome de uma grande nação tupi que habitava a região litorânea do que hoje são os estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Em tupi quer dizer "comedor de camarão"; vários descendentes da tribo dos potiguares adotaram, ao serem submetidos ao batismo cristão, o sobrenome Camarão, sendo o mais famoso deles o combatente Felipe Camarão, e sua esposa, Clara Camarão. (in http://pt.wikipedia.org)
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Natal é um município brasileirocapital do estado do Rio Grande do Norte, pertencente à Região Metropolitana de Natal, à microrregião de Natal, à mesorregião do Leste Potiguar e ao Polo Costa das Dunas. A cidade nasceu às margens do rio Potengi e do Forte dos Reis Magos,[9] no extremo-nordeste do Brasil, numa região chamada "esquina do continente", distante 2.507 quilômetros de Brasília.[10] É conhecida como a "Cidade do Sol" ou"Noiva do Sol" por ser uma das localidades com o maior número de dias de sol no Brasil, chegando a aproximadamente trezentos.[11] Também a chamam de "Capital Espacial do Brasil" devido às operações da primeira base de foguetes da América do Sul, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno no município limítrofe de Parnamirim.[12]
Capital menos violenta do Brasil,[13][14][15] décima-quarta cidade mais segura do Brasil[13] e terceira capital com melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste,[16] é a vigésima-primeira cidade mais populosa do país, detendo em 2009 uma população de 806.203 habitantes (ou 1.312.123, contando a região metropolitana[2]). Deve-se observar que há áreas conurbadas à cidade, porém pertencentes aos municípios vizinhos, como Nova Parnamirim, com aproximadamente 50 mil habitantes, que é uma extensão da zona sul da cidade, dentro do município vizinho de Parnamirim, e outras áreas do aglomerado urbano da metrópole. Atualmente a cidade cresce num ritmo alucinante, contando, só na Zona Norte, com uma população de cerca de 300 mil habitantes.[17] Atrai aproximadamente 2 milhões de turistas ao ano[18] por contar com muitas praias e belezas naturais e também por sediar a maior micareta do país,[19] o Carnatal, o que faz com que a cidade se configure como a oitava cidade mais visitada por turistas do Brasil (dado de 2005[20]) e a mais visitada por portugueses.[21] O município foi eleito pela Aviesp (Associação das Agências de Viagens Independentes do Estado de São Paulo) como o melhor destino turístico doBrasil em 2007,[22] e também é uma das cidades com o maior número de leitos turísticos do Brasil, sendo aproximadamente 28 mil..[23]
Historicamente, a cidade teve grande importância durante a Segunda Guerra Mundial em 1942 durante a Operação Tocha, já que os aviões da base aliada americana se abasteciam com combustível no lugar que hoje é o Aeroporto Internacional Augusto Severo, sendo classificada como "um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo" pelo Departamento de Guerra dos EUA, junto com SuezGibraltar e Bósforo.[24] Natal é a segunda menor capital do país em área territorial[25] e, por isso, possui uma das mais altas densidades demograficas do país.[26]
É a capital brasileira mais próxima do continente europeu,[24] estando situada numa espécie de triângulo natural com um vértice para o norte, que é banhado de um lado pelo Rio Potengi e de outro pelo Oceano Atlântico, recebendo ventos constantes, condição que lhe concedeu o título, segundo a NASA, de cidade detentora do ar mais puro e renovável do continente sul-americano.[29] Está localizada no litoral do estado, numa região essencialmente cercada de dunas, com uma altitude média de trinta e três metros acima do nível do mar. (adaptado de http://pt.wikipedia.org)


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O Aeroporto Internacional de Natal (Aeroporto Internacional Augusto Severo) não se localiza em Natal, mas no vizinho município de Parnamirim, a cerca de 20Km ao Sul de Natal.
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As famosas Dunas de Genipabu, pertencentes ao complexo do Parque Turístico Ecológico Dunas de Genipabu, composto além das dunas, pela praia, por uma lagoa e uma área de proteção ambiental, também não se localizam em Natal. Elas estão dentro do vizinho município de Extremoz, localizado a 20Km ao Norte de Natal.
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O Maior Cajuzeiro do Mundo também não fica em Natal. Ele se localiza na Praia de Pirangi do Norte, no município de Parnamirim.
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Ônibus que tem escrito PASSE LIVRE em Natal não significa que você não paga a passagem. Significa que esse ônibus faz parte de um sistema integrado de circulação que permite que o passageiro pague apenas uma passagem para chegar ao seu destino, mesmo que tenha que pegar mais de um ônibus, desde que o tempo entre o primeiro e o último embarque não seja superior a uma hora.
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Muitos ônibus de Natal não utilizam motorista e cobrador. Utilizam apenas uma figura: o motorista-cobrador. É uma loucura: a roleta é colocada logo na entrada do veículo e, a medida que os passageiros sobem, a roleta vai sendo liberada. Quando o passageiro utiliza a bilhetagem eletrônica, tudo bem; mas quando o passageiro paga em dinheiro, o motorista se vira em dois (ou três): coloca o ônibus em movimento e começa a puxar o troco de um lado, troca a marcha de outro, buzina, dá sinal de luz, assobia e chupa cana. O perigo da utilização dessa função contrasta com a placa estampada nos ônibus: "fale com o motorista somente o necessário". Não sei como os caras conseguem manter aquele jeitinho calmo dos natalenses com todo esse estresse. Apesar de eu ter verificado que a legislação local permite a utilização de, no máximo, 20% de motoristas-cobradores, a impressão que tive é que esse número é bem maior. É um verdadeiro absurdo. Onde estava o sindicato dos trabalhadores em transporte rodoviário quando se permitiu uma barbaridade dessas, que coloca em risco a segurança de centenas (ou milhares) de passageiros, além de ter causado um maior enriquecimento das empresas às custas de muitos cargos de cobradores que foram extintos?
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Na Via Costeira de Natal, existe um elefante branco enferrujando. Um fabuloso hotel de seis estrelas seria construído no local, à beira mar. A obra foi iniciada há cinco anos, e com orçamento de R$ 50 milhões, grande parte já investidos. Acontece que um desentendimento (e uma malandragem dos construtores) com a Prefeitura de Natal, o IBAMA e o Ministério Público desencadeou na interrupção da obra. O prédio possui 8 andares, o que contraria a legislação municipal, que visa preservar o direito de todos avistarem o mar. Ocorre que o hotel foi construído junto à parte alta da via costeira, sendo que quatro andares estão acima do nível da via e outros quatro abaixo. Essa é a malandragem: tentando burlar a legislação, fizeram a obra parecer lícita utilizando a parte mais alta da avenida. Com a briga judicial, os proprietários até colocaram enormes placas de 1º andar, 2º andar, 3º andar e 4º andar, insinuando que os demais estariam no subsolo, o que não é verdade. Parece que a contenda está chegando ao final, com a decisão de que a obra continue, desde que o último andar seja demolido. Pelo que pude perceber passando pelo local, vão ser gastos muitos reais para recuperar o que a maresia deteriorou nesses cinco anos. Com a proximidade da Copa do Mundo e Natal estando entre uma das cidades-sede, acredito que os proprietários queiram concluir o quanto antes o empreendimento para recuperar parte dos prejuízos.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Andanças pelo RN



Hoje bati o recorde. Andei duzentos quilômetros. Calma, calma. Não foi a pé, não. Brinquei um pouquinho de rico e aluguei um carro. Como o passeio de buggy foi em direção ao Norte, decidi ir em direção ao Sul. O destino final: Praia da Pipa, a cerca de cem quilômetros de Natal.


Fui pela via costeira até a Ponta Negra. Logo após, uma parada para fotos no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, localizado no município de Parnamirim. Trata-se da mais antiga base de lançamentos de foguetes do Brasil, criada em 1965. A denominação de Barreira do Inferno é atribuída à existência de grande quantidade de falésias vermelhas às margens do mar. Continuei até a Praia do Cotovelo, onde consegui tirar umas fotos bem bacanas das "barreiras do inferno".  Fui até Pirangi, onde está localizado o "Maior Cajuzeiro do Mundo". Ele foi plantado em 1888 por um pescador que morreu as 93 anos de idade, à sombra do cajuzeiro. Cobre uma área de 8.500 m2 e produz cerca de 80.000 cajus por ano. Infelizmente não obtive muitas fotos do local. O assédio de "orientadores turísticos" foi tão grande que acabei me aborrecendo e seguindo adiante. A próxima praia é a de Búzios. No início da praia, enormes mansões a beira mar, impedem a passagem até a areia. Somente após uns três, quatro quilômetros é que foi possível entrar numa ruela pra tirar umas fotos do lugar. Segui destino até a Praia de Tabatinga. Paisagens maravilhosas no caminho, mas de carro, sozinho, nem sempre é possível fotografar tudo aquilo que chama a atenção. Parei em alguns lugares para fotos, mas não é a mesma coisa do que fazer o trajeto a pé ou de moto. Em Tabatinga, seguindo recomendações, rumei em direção à BR 101, até o muncípio de Nísia Floresta, já que para seguir pela praia só pela areia, com necessidade de carro com tração nas quatro rodas (não era meu caso!).


De Nísia Floresta fui pela BR 101 até o município de Goianinha, onde voltei a tomar o rumo do litoral até a Praia da Pipa. A Praia é uma beleza. Um centrinho bem bacana, com lojas de roupas e restaurantes bem legais. Deixei o carro estacionado e fui até a beira da praia, com a intenção de almoçar, afinal já eram umas duas da tarde. Olhei o cardápio de alguns restaurantes e me assustei: essa praia é de rico!!!! Qualquer peixinho assado ou frito, qualquer porçãozinha de camarão não sai por menos de R$30,00. Segui pela beira da praia indignado até chegar a um barzinho meio chumbrega no final da chamada praia do Centro. Entrei, olhei o cardápio e, pra minha surpresa, os preços eram os mesmos. Um achaque. Acabei pedindo uma cerveja e uma porção de aipim (quero dizer, macaxeira) frita. Paguei R$13,50 (um roubo!!!). Voltei até o centrinho e encontrei uma banquinha de açaí. Comi uma bela tigela de açaí, com banana, mel e granola por apenas R$5,00. Agora eu estava almoçado!!!


Comecei minha viagem de volta pelas 16 horas. Na saída da Pipa, parei num lugar que se denomina Santuário Ecológico. Lá é possível passear por trilhas e avistar a praia de alguns mirantes. A promessa é que daria pra ver golfinhos e tartarugas, já que o local foi um experimento do Projeto Tamar, mas não vi nadinha disso. Porém, os R$5,00 do ingresso não foram desperdiçados, não. O lugar é bem bacana e as trilhas me proporcionaram uma caminhadinha de quase uma hora.


Segui o caminho de volta até Goianinha, onde, desta vez, peguei a BR 101 até Natal. No caminho, chamou-me a atenção as obras que estão sendo executadas pelo Exército Brasileiro na própria BR. Eu não tinha a menor idéia que o Exército tivesse tantos carros-pipas, caminhões, tratores, escavadeiras. Todos eles pintados nas cores do Brioso e com o brasão nas portas. O serviço executado por soldados devidamente fardados parece ser de qualidade. Uma camada generosa de concreto está sendo colocada em duas vias de pistas duplas, separadas por blocos também de concreto.


Cheguei de volta no Hotel às 18h15min, cansado mais uma vez, mas com a certeza de ter aproveitado bem o dia. Amanhã, começo a organizar as coisas para voltar para o RS. O que fica dessa viagem de apenas 5 dias é que é possível conhecer lugares bacanas, em pouco tempo e não gastando muito. Basta se organizar, ter muita disposição e não ficar apenas torrando na areia no mesmo lugar. Tem que rodar, seja a pé, de ônibus, de buggy, de carro. O importante para quem quer conhecer é se mexer. Isso, realmente, é muito mais fácil quando se viaja sozinho. Viajando em dupla ou em grupo, as coisas se complicam um pouco mais. Não é todo mundo que tem a mesma disposição, nem quer conhecer os mesmos lugares. Alguns preferem apenas atravessar a rua, colocar a cadeira ou a toalha na areia e ficar torrando os miolos no sol o dia todo. Eu não. Meu negócio e girar, conhecer os lugares e tirar fotos, muitas fotos. Isso pra mim é que é quisqueí. O resto, é o resto.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Natal é muito quisqueí!



Quando a gente está estressado, o melhor que temos a fazer é pedir um tempo. Eu estava nos últimos dos últimos e resolvi tirar uma semana de férias. O lugar escolhido para essa semana foi Natal. Por quê? Talvez porque natal significa nascimento. Um lugar para tentar nascer de novo. Talvez apenas porque o destino mais longo que consegui com os pontos que troquei por passagens aéreas na TAM foi Natal. O certo é que a escolha foi boa. Natal é muito quisqueí.


Cheguei na segunda-feira à tarde e, na busca de um adaptador para a tomada do meu notebook, saí a bater pernas procurando o centro da cidade. Desde a Praia dos Artistas, onde estou hospedado, foram algumas horas de caminhada. Já no primeiro trecho, entrei numa parte nada boa da cidade. Logo na rua acima da praia, uma favela bem favela mesmo, me fez sentir um pouco de medo. Até porque na saída do hotel, o rapaz da recepção berrou (com aquele sotaque potiguar que parece quase uma outra língua), "o seu moço, cuidado com a câmera". Fui abordado por uma prostituta, feia que dói, e me fiz de paisagem e nem olhei para trás.


Caminhando em busca de uma loja de material elétrico, algumas constatações. O bairro Petrópolis é um bairro muito chique. Mulheres bem vestidas entram em boutiques de roupas que parecem caríssimas. Tem BB Estilo e Itaú Personalitée. Muitos policiais nas ruas. São bombeiros pra cá, policiais civis prá lá, polícia turística acolá, ronda escolar à estibordo, patrulha ambiental à bombordo. Vi bastante operário trabalhando nas ruas, algumas construções, mas, muito estranho: pouquíssimos mercados e supermercados, nenhuma loja de material elétrico, hidráulico, ou material de construção. Foram umas duas horas de caminhada até o Centro, com algumas voltas de reconhecimento - eu não estava perdido não, por isso não perguntei nada pra ninguém . As placas me levaram ao Centro. Antes passei por um montão de hospitais. O gente que fica doente!


No Centro, entrei em trocentas lojas, e nenhuma tinha o bendito do adaptador. Comecei a observar nas lojas de equipamentos eletrônicos e elétricos. O novo padrão de tomada não chegou aqui ainda, não. Todos os equipamentos ainda são no padrão dois pinos. Até que entrei numa loja de importados, imagine, importados, e não é que lá tinha o tal do adaptador. Então, para eles, os três pinos ainda é coisa de outro mundo... do Brasil!


Retornei ao hotel e computei as horas de caminhada: três horas e meia. Para o primeiro dia, estava muito bom. Tomei um banho, jantei um escondidinho de camarão no restaurante do hotel - ótimo, por sinal - e fui ao berço.


Na terça-feira a proposta era botar a máquina fotográfica no peito e sair pela praia clicando alguns momentos. Fui em direção à Ponta Negra. Caminhei, caminhei, tirei muitas fotos, caminhei e caminhei. Eu, sinceramente, não imaginava que era tão longe. No mapa que peguei no aeroporto, parecia mais perto. Foram quatorze quilômetros de ida, três horas e meia de caminhada. Peguei muito sol, alguma chuva, bastante vento. Mas valeu à pena. A praia da Ponta Negra é muito legal. Um calçadão acima da areia, no qual desembocam as lojas, restaurantes, hotéis e onde ficam localizados os quiosques que vendem côcos e petiscos é o ponto forte. Aliás, aqui se bebe côco a partir de cinquenta centavos. Claro que, em alguns lugares é dois reais, mas bebi alguns de cinquenta centavos e tinha o mesmo gosto: água de côco. Coqueiro lotado se enxerga em qualquer lugar. Muito bom. Na praia da Ponta Negra, almocei num restaurantezinho que me chamou a atenção pela música que estava tocando: Seu Jorge, contrastando com aquele bando de carrinhos vendendo CDs de muito malgosto, com piadas e músicas de baixo nível - que, aliás é o ponto fraco da praia. Comi um peixe grelhado com salada. Estava gostoso, ainda mais com o salpique de pimenta que eu dei nele.


Depois do almoço, fui até o final da Ponta Negra, o Morro do Careca, e comecei a jornada de volta. Confesso que eu estava tão cansado, com os pés doendo tanto que pensei em voltar de ônibus, mas, o espírito macho e aventureiro falou mais alto. Como eu tinha ido pela estrada - a via costeira - resolvi voltar pela beira da praia. Mais cerca de quatorze quilômetros me esperavam. A beira da praia era muito irregular. Em alguns lugares, rochas impediam a passagem. Era necessário subir as dunas e regressar às margens mais adiante. Eu estava controlando para manter meus tênis mais ou menos enxutos, porque quatorze quilômetros descalço ninguém aguenta. Passados uns dez quilômetros de caminhada, me encontrei num brete. Na beira da praia, um hotel avançava até quase dentro do mar. Não tinha como subir pelas dunas. O jeito era tentar passar quando a onda voltasse. Fiquei chuleando um momento e tentei passar correndo, mas não deu. A onda me atacou e encharcou meus tênis. Não tive outra opção. Tirei os tênis e segui o restante do trecho descalço. Como parei menos vezes para fotografar e o trajeto era um pouco mais curto que pela via costeira, levei apenas três horas para voltar. No total do dia, quase vinte e oito quilômetros, seis horas e meia de caminhada. Cheguei ao hotel exausto, doído, com a planta dos pés, as coxas e as verilhas assadas. Tive que ligar pra farmácia trazer um creme antifungicida e cicatrizante. Tomei um banho, jantei no restaurante do hotel - peixe com legumes e salada - e fui às nove horas pra cama.


Na quarta-feira - hoje - os planos eram passear de buggy. O buggeiro - com o apropriado apelido de Mr. Bean, inspirado nas suas inconfundíveis feições - passou no hotel às nove horas.  Como o buggy comporta quatro passageiros, meus companheiros de empreitada eram três chineses - isso mesmo - chineses, que falavam poucas palavras em português. Pensei que ia dar uma exercitada no meu insipiente inglês, mas que nada. Eles não falavam uma palavra no idioma do Tio Sam. Mais tarde fiquei sabendo que os orientais tem uma lanchonete no centro do Rio de Janeiro. Um deles já mora há vinte anos no Brasil; o outro, há dez anos; o último, há cinco. Mesmo assim, a comunicação era muito difícil. Pra complicar ainda mais, o sotaque potiguar do Mr. Bean era quase mais difícil de entender do que os chineses... Mas vamos em frente... A primeira parada do Buggy foi no Aquário de Extremoz. Sim, Natal ficou para trás. O município vizinho é Extremoz. Lá fotografei muitos peixes, algumas tartarugas, cobras, iguanas, jacarés, lagostas... A viagem seguiu por muitos lugares bonitos e manobras extremamente radicais sobre as dunas. Paramos nas Dunas de Genipabu, onde dois dos chineses andaram de dromedário. Depois, fomos ao famoso esquibunda e ao aerobunda. Andei nos dois. Pensei que os chineses iam ficar o dia todo lá, mas nada. Apenas um andou no aerobunda. Os outros dois não se acharam em trajes adequados... Almoçamos num fabuloso restaurante na praia de Pitangui. E aí, um detalhe. Ô chineses que comem, sô! Todos encheram o prato com um edifício de quatro andares. O mais magrinho de todos, fez um de cinco andares. E são uns porcos pra comerem. Mastigam e falam aquela língua do aaaa, aaaa, ahhh o tempo todo. Apesar de ter pratinhos pra rejeitos, as sobras eram cuspidas na mesa mesmo. Uma porquice completa. Mas sobrevivi, apesar de ter me dado ânsia de vômito algumas vezes.


Na volta, paramos na Lagoa do Pitangui, um lugarzinho bacana, cheio de barzinhos dentro de uma pequena e rasa lagoa. Seguimos viagem por praticamente os mesmos caminhos da ida. Ah, ia me esquecendo: tem uma passagem bem interessante. Para atravessar o Rio Ceará-Mirim, é necessário colocar o buggy em uma pequena balsa que é levada a outra margem por um balseiro portador de uma taquara. Ele vai espetando a taquara no fundo do rio e fazendo a balsa deslizar por sobre as água. Impressionante a mudança do rio. De manhã, perto das onze horas, ele estava bem rasinho. De tarde, perto das três, ele já estava bastante invadido pela maré. Aliás, esse movimento da maré pode ser observado claramente em todo a praia. À medida que se aproxima o final da tarde, a maré vai ficando alta e, quando anoitece, ela recua drasticamente, mudando completamente o visual da areia. ((nota de correção: após algumas conversas com nativos e uma pesquisa ao google, fiquei sabendo que o movimento das marés não é sempre no mesmo horário, não. Aliás, eu já devia saber, porque, se não me engano ensinam isso na quarta ou na quinta série. Existe uma tábua das marés que indica o horário em que a maré está baixa. Normalmente, ela varia em 40 minutos a mais de um dia para outro, alterando, o visual a cada dia. Para saber mais: http://www.scubadiver.com.br/scubadiver/tabua.html)))


Chegamos cedo do passeio, perto das quatro da tarde. Dei uma caminhada de apenas duas horas. Voltei para o hotel, passei um bom tempo no computador e, como a comilança do meio-dia tinha sido muito grande, pedi no hotel mesmo um caldo de camarão. Fantástico, por sinal. Tenho mais dois dias em Natal, mas ainda não tenho programação. Vamos ver o que rola, se tiver alguma coisa interessante, volto a registrar. O importante é que até aqui o passeio já valeu a pena, e já dá para dizer que Natal é muito quisqueí. Quisqueí demais!